Protocolos de cooperação entre Enfermagem e Odontologia no Hospital Sírio Libanês

Na última quarta-feira, 25 de abril, foi ministrada palestra sobre os protocolos de cooperação entre a Enfermagem e a Odontologia no Hospital Sírio Libanês em São Paulo.

Chama a atenção a importância que os serviços de saúde atuantes na alta complexidade dão às atividades de grupo. Semanalmente ocorrem sessões clínicas para estudos de casos, discussão de protocolos, organização administrativa e, mensalmente, debates científicos interdisciplinares.

Na palestra foi apresentada a necessidade de integração entre as duas profissões, no atendimento ao paciente em centro cirúrgico, nas enfermarias e, especialmente, nas UTIs.

Foi enfatizada ainda a importância do exame bucal desde o acolhimento até a alta, sendo mostrados alguns exemplos de situações normais, atípicas e condições mórbidas que exigem a presença de um CD para diagnóstico e terapias adequadas.

Também foi citada a necessidade de avaliação do paciente quanto a sua capacidade de autocuidado bucal no leito, sendo apresentadas situações onde a equipe de enfermagem deverá assumir este papel. Foi sugerida a existência de fluxogramas elaborados em parceria com o serviço de Odontologia para auxiliar nestas rotinas.

Finalmente, foi mostrada a necessidade de descontaminação oral nas unidades intensivas, especialmente para prevenção da pneumonia associada à ventilação, através de protocolos já aceitos e incentivados pelas principais entidades nacionais e internacionais de vigilância sanitária e de controle da infecção hospitalar. Foram expostas ainda situações onde um procedimento odontológico pode ser necessário para auxiliar no equilíbrio do meio ambiente bucal.

Abaixo as fotos do encontro:

Paulo Pimentel, com a equipe de educação continuada do HSL (Enfas. Candida Brito, Renata Oliveira e Leonice dos Santos)

Abaixo, a partir da esquerda, Enfa. Leonice, enfermeiras, residentes, estudantes de enfermagem e o Sr. Caio Dini (representante comercial da Politec Saúde)

(*) A atividade foi realizada a convite da Equipe de Educação Continuada em Enfermagem do Hospital Sírio Libânes e patrocinada pela Politec Saúde, representante comercial, no Brasil, da linha Sage de saúde bucal.

Entrega dos certificados de conclusão do Curso de MOOH (HFSE/2011)

Em encontro festivo foram entregues os certificados de conclusão do Curso de Medicina Oral e Odontologia Hospitalar realizado no HFSE em 2011.

O curso de quase 400 horas realizado em um dos hospitais públicos mais tradicionais do país (o primeiro hospital brasileiro a criar um programa de residência médica e também a possuir uma UTI) e reconhecido como Hospital de Ensino pelo Ministério da Educação, teve, além do coordenador, duas profissionais do serviço de Odontologia do HFSE, 6 alunos externos e 6 preceptores, já com experiência em estomatologia, periodontia médica, CTBMF, dor orofacial e DTM e na própria atuação odontológica em alta complexidade.

Durante a realização do curso foram pactuados protocolos de atuação odontológica junto aos demais serviços do hospital, que continuam sendo colocados em prática, valorizando a saúde bucal e os profissionais responsáveis por sua manutenção.

Através de experiências como esta vê-se como é possível a criação de cursos que tenham os cuidados bucais como foco da atuação, sempre multidisciplinar, existente na alta complexidade; trabalhando conjuntamente com os serviços de saúde do hospital e da própria rede do SUS no estado.

Outra observação do curso é que nas centenas de horas de sua realização, os alunos e preceptores se dividiram por todas as dependências do hospital (centros cirúrgicos, ambulatório, enfermarias e UTIs), desde que fosse parte do protocolo ou que houvesse demando pela saída do profissional do ambulatório de Odontologia.

Abaixo foto do coordenador do curso e de quatro dos alunos (Luiz Ponciano, Isabela Castro, Luzia Mitsuuchi e Adriana Mattos) que receberam seus certificados, “com louvor”. Todo agradecimento à chefia do Serviço de Odontologia, à Divisão de Ensino e Pesquisa e à Divisão Médica do HFSE que autorizaram o curso e propiciaram uma experiência das mais agradáveis a todos os envolvidos na atividade.

Pacote de entrada da Odontologia na MO-OH quase completo

Notas do editor do Portal da Medicina Oral:

O acréscimo do substitutivo ao projeto original do Dep. Neilton Mulim foi fundamental para a aprovação do PL. Enaltecimentos à relatora Erika Kokai, pela sua sensibilidade e iniciativa, à capacidade do Deputado de agregar valores políticos e técnicos ao PL 2776-08, às entidades da Odontologia que se mobilizaram e aos colegas que contribuíram de alguma forma para que o projeto tivesse a qualidade e a abrangência atuais, onde não só a atuação em UTI é privilegiada, mas também no restante do hospital e nos cuidados domiciliares.

O “quase completo” pacote de inserção da Odontologia no multidisciplinar ambiente da MO-OH (medicina oral e odontologia hospitalar) já conta com:

1) o arranjo político-legislativo (faltando a esperada aprovação final da câmara),

2) com o arranjo institucional através do reconhecimento da área pelos CROs e CFO (aguardando: a) a legitimação oficial dos profissionais qualificados, b) oficialização de uma habilitação; c) a definição de uma entidade que regule sua atuação; e d) a integração entre as entidades odontológicas e médicas oficiais),

3) com o arranjo acadêmico através da abertura de residências, reconhecidas pelos ministérios da saúde e educação, que integram o cirurgião dentista aos serviços de saúde da alta complexidade (aguardando: a) a criação de mais residências que tenham a saúde bucal como foco principal de atuação, independendo da área onde é exercida, nos moldes da existente no HCUSP; b) a criação de disciplinas focando a MO-OH já na graduação, e; c) a adequação das disciplinas básicas às exigências do aumento de conhecimento médico para o cirurgião dentista),

4) tabelas apropriadas de remuneração do CD (aguardando: a) adequação e acréscimo dos procedimentos específicos para pacientes críticos e com comprometimento sistêmico em home-care e hospitais da rede privada; b) correção dos valores praticados; e c) a plena aceitação dos planos de saúde para procedimentos fora dos consultórios),

5) cirurgiões dentistas lotados em diversos hospitais da rede pública e nos PSF, tendo seus procedimentos remunerados por valores justos através da portaria 1032 (faltando: a) o comprometimento com o papel que se espera da Odontologia no atendimento aos pacientes sistemicamente comprometidos através do foco no atendimento baseado nos protocolos da Medicina Oral, integrando os serviços da odontologia hospitalar, atenção básica e média complexidade),

6) relatos e evidências científicas que comprovam a importância da saúde bucal e da atuação do cirurgião dentista para a saúde sistêmica e melhor qualidade de vida (neste tópico felizmente não falta nada, mas, mesmo assim, certamente mais evidências e informações virão especialmente visando a adaptação dos protocolos internacionais à realidade brasileira),

7) a aceitação de grande parte da população (faltando ainda: o conhecimento sobre a atuação do dentista na MO-OH, e b) o aumento do grau de informação sobre a relação entre a saúde bucal e geral para alcance do restante da população).

Ou seja, falta pouco…

Notícia no Portal da AMIB

O Projeto de Lei que torna obrigatória a presença de cirurgiões-dentistas nas UTI foi aprovado hoje em Brasília por unanimidade. A AMIB vem trabalhando para que essa prática seja realidade.

Alguns hospitais já contam com esse profissional contratado. Um dos mais antigos no Brasil é a Santa Casa de Barretos, que há oito anos mantém esse profissional atuando na UTI, sob a coordenação da Dra. Teresa Morais, também presidente do Departamento de Odontologia da AMIB.

“Com o constante surgimento de evidências científicas que respaldam o papel nocivo dos comprometimentos e das infecções dentárias e bucais para a degradação do estado geral dos pacientes alocados nas Unidades de Terapia Intensiva, a odontologia passa a dividir responsabilidades, com outros integrantes das equipes de saúde – especialmente nas questões referentes ao controle das infecções e da melhor oferta de conforto a esses pacientes”, salienta Dra. Teresa.

Segundo a cirurgiã-dentista, a falta de tratamento dentário aumenta a possibilidade de infecções e sepse nas Unidades de Terapia Intensiva e pode causar até pneumonia — doença responsável por 30% das mortes nesse ambiente. A higiene bucal deficiente é comum em pacientes internados em UTIs. “Esse problema propicia a colonização do biofilme bucal por microrganismos patogênicos, especialmente respiratórios”, alerta.

A AMIB, por meio de seu departamento de odontologia e da integração dos seus segmentos, prepara e amplia o convívio dessa importante área da saúde, com as que já se vincularam dentro do ambiente das UTIs e hospitais.

Apesar dos leitos destinados para terapia intensiva representarem menos de 2% dos leitos hospitalares disponíveis no Brasil, esses contribuem nas estatísticas com 25% das infecções hospitalares, com significativo impacto nos índices de morbidade e mortalidade.  Em muitos serviços as taxas chegam a ser 5 – 10 vezes maior neste grupo de pacientes.

Segundo a Dra. Teresa Marcia Morais, “diversos estudos apontam as infecções hospitalares como as mais frequentes complicações do tratamento nas Unidades de Terapia Intensiva. O papel do cirurgião dentista nesse ambiente pode auxiliar muito na diminuição de infecções graves, pois porcentagem considerável dessas infecções começa pela boca”, reforça.

A profissional lembra que nas últimas décadas o cuidado com a saúde bucal deixou de ser uma simples preocupação estética ou processo patológico local para se tornar um fator determinante na saúde e na qualidade de vida do indivíduo. “Ao longo dos anos, a evolução da odontologia vem proporcionando um melhor entendimento da etiopatogenia das doenças bucais, e o interesse pelos efeitos sistêmicos dessas patologias tem se tornado cada vez mais objeto de estudo”, diz a cirurgiã dentista.

As pesquisas científicas estão conferindo as infecções bucais uma interrelação com outras patologias sistêmicas, além de considerá-las com potencial para agravar uma condição sistêmica preexistente ou ainda, colaborar para que o indivíduo tenha maior risco de desenvolver outras doenças. As infecções se tornaram um desafio no ambiente hospitalar, sendo uma manifestação frequente no paciente grave, internado na Unidade de Terapia Intensiva. Isso devido à condição clínica destes pacientes e a variedade de procedimentos invasivos rotineiramente realizados, que determinam uma probabilidade entre 5 e 10 vezes maior de contrair uma infecção, representando cerca de 20% do total das infecções de um hospital.

Cabe ressaltar que o risco de infecção é diretamente proporcional à gravidade da doença, as condições nu­tricionais, a natureza dos procedimentos diagnósticos e ou terapêuticos, bem como ao tempo de internação, comprometimento imunológico dentre outros aspectos. Diante disto, é importante ampliar a discussão sobre o risco infeccioso que a cavidade bucal pode representar especialmente em pacientes críticos”, finaliza a Dra. Teresa Morais.

Seguridade aprova presença obrigatória de dentistas em hospitais

Fonte: http://www.erikakokay.com.br/noticia.php?id_noticia=3328

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou nessa quarta-feira (18) proposta que torna obrigatória a presença de dentistas em hospitais públicos e privados de médio ou grande porte em que haja pacientes internados ou que atendam a doentes crônicos. Foi aprovado o substitutivo da relatora, deputada Erika Kokay (PT-DF), ao Projeto de Lei 2776/08, do deputado Neilton Mulim (PR-RJ).

O texto assegura a assistência odontológica a todos os pacientes em regime de internação hospitalar, aos atendidos em casa na modalidade “home care” e aos doentes crônicos, mesmo que não estejam internados. O projeto original garantia o serviço apenas em unidades de terapia intensiva (UTIs) e em hospitais públicos e privados com pacientes internados.

Além disso, de acordo com a proposta de Mulim, as clínicas, pública ou privadas, também deveriam manter profissionais de odontologia à disposição dos pacientes. Pelo substitutivo, apenas os hospitais de médio e grande porte deverão cumprir essa regra.

Referência

Erika Kokay lembra que as patologias bucais aumentam o tempo de internação dos pacientes e podem até levar à morte. “A iniciativa proposta pode ser considerada como a extensão de uma prática já seguida por algumas instituições de referência nacional e internacional, como os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, quanto ao atendimento odontológico”, afirmou.

Pela proposta aprovada, as UTIs deverão contar com cirurgiões-dentistas. Já os outros estabelecimentos poderão manter outros profissionais habilitados na área, desde que supervisionados por um odontólogo.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Matéria publicada originalmente na Agência Câmara de Notícias

Reunião sobre Odontologia Hospitalar em Pernambuco

Na última sexta-feira foi realizado evento de Odontologia Hospitalar no XXI COPEO na cidade de Recife.

A coordenação foi da Dra. Aurora Vidal e também estavam presentes à atividade interessados no assunto como a acadêmica Marcele Walmsley, o odontogeriatra Carlos Moura Melo e a estomatologista Lucia Santos.

Parabéns ao Grupo de Pernambuco e muito sucesso nos próximos eventos.

Carlos Melo, Paulo Pimentel, Aurora Vidal e Lucia Santos, em clique de Marcele Walmsley

Carlos Melo, Paulo Pimentel, Aurora Vidal e Lucia Santos, em clique de Marcele Walmsley

(*) A minha viagem foi solicitada  e custeada por pedido da Comissão de Odontologia Hospitalar do CROPE junto ao CRORJ.

Jargão hospitalar: que linguagem é essa?

Recebi de um amigo (gostei de saber que assim também sou considerado por ele) o pedido abaixo:
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Prezado amigo Paulo Pimentel,
Na nossa ultima reunião no CRORJ, conversei com algumas colegas que realizaram o curso no H. dos Servidores.
Eu falei da minha dificuldade de reunir os termos médicos utilizados nos prontuários hospitalares, elas me informaram que, vc fez um pequeno dicionário sobre esses termos.
Gostaria de saber da possibilidade de vc me enviar o referido documento, pois me ajudaria muito…
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A entrada do CD no meio hospitalar deve realmente ser precedida de um preparo adequado e a capacidade de se comunicar com os demais profissionais é primordial.

A utilização de abreviações, os acrônimos, nas descrições economiza tempo e resume raciocínios facilitando a troca de informações e preenchimento dos prontuários – nos mesmos fazemos isso na Odontologia.

Doenças, síndromes, localizações anatômicas, exames, medicamentos e suas vias/horários de administração, técnicas cirúrgicas e operatórias, especialidades, equipamentos, locais do próprio hospital e termos latinos, entre outros, são abreviados criando uma linguagem própria da alta complexidade.

Desta forma termos como cateter venoso central, se torna CVC; esclerose lateral amiotrófica vira ELA; infarto agudo do miocárdio, IAM; insuficiência renal crônica IRC, centro cirúrgico, CC; benzodiazepínico, BDZ; acidente vascular encefálico, AVE; otorrinolaringologia, ORL; linfoadenomegalia, LAM; sem evidencia de doença, SED; id est (isto e em latim), i.e.; e exempli gratia (por exemplo), e.g.. Curiosamente SIC (sic e palavra latina que significa “assim mesmo“)  e usado como “segundo informação do cliente”.

Esta sopa de letrinhas pode gerar problemas se não compreendidas corretamente. Mesmo alguns acrônimos em inglês são mais difundidos do que sua tradução para o português, exemplos, AIDS ao invés de SIDA; e esquema HAART (highly active anti-retroviral therapy). Assim além de decorar os principais, é preciso saber de qual idioma procedem, e.g. não confundir nossa UTI com urinary tract infection.

Assim a leitura de um prontuário pode se tornar um quebra cabeça para o iniciante se este não possui uma “cola”. Alguns textos passam diversas dicas (ver http://www.mediconerd.com/2010/05/acronimos-medicos-abreviacoes-do.html), também existem outros em inglês e ainda o aplicativo para smartphone Epocrates, que podem ajudar.

Porém, nada melhor que o próprio novato produzir sua cola previamente, sabendo que na hora do aperto pode contar com a discreta ajuda de um residente, enfermeiro ou outro profissional mais interessado em ajudar, afinal não é muito desejável ser visto como uma “esponja” do saber alheio no ambiente de trabalho ;) .

Quem tiver desprendimento para compartilhar seus rascunhos e arquivos não se acanhe e escreva nos comentários. Relatos pitorescos também são bem-vindos como a do incauto autor deste texto que confundiu o “forâmen oval patente” cardíaco com o “forâmen oval” por onde passa o nervo mandibular. Mas isto já é outra história…