Jargão hospitalar: que linguagem é essa?

Recebi de um amigo (gostei de saber que assim também sou considerado por ele) o pedido abaixo:
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Prezado amigo Paulo Pimentel,
Na nossa ultima reunião no CRORJ, conversei com algumas colegas que realizaram o curso no H. dos Servidores.
Eu falei da minha dificuldade de reunir os termos médicos utilizados nos prontuários hospitalares, elas me informaram que, vc fez um pequeno dicionário sobre esses termos.
Gostaria de saber da possibilidade de vc me enviar o referido documento, pois me ajudaria muito…
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A entrada do CD no meio hospitalar deve realmente ser precedida de um preparo adequado e a capacidade de se comunicar com os demais profissionais é primordial.

A utilização de abreviações, os acrônimos, nas descrições economiza tempo e resume raciocínios facilitando a troca de informações e preenchimento dos prontuários – nos mesmos fazemos isso na Odontologia.

Doenças, síndromes, localizações anatômicas, exames, medicamentos e suas vias/horários de administração, técnicas cirúrgicas e operatórias, especialidades, equipamentos, locais do próprio hospital e termos latinos, entre outros, são abreviados criando uma linguagem própria da alta complexidade.

Desta forma termos como cateter venoso central, se torna CVC; esclerose lateral amiotrófica vira ELA; infarto agudo do miocárdio, IAM; insuficiência renal crônica IRC, centro cirúrgico, CC; benzodiazepínico, BDZ; acidente vascular encefálico, AVE; otorrinolaringologia, ORL; linfoadenomegalia, LAM; sem evidencia de doença, SED; id est (isto e em latim), i.e.; e exempli gratia (por exemplo), e.g.. Curiosamente SIC (sic e palavra latina que significa “assim mesmo“)  e usado como “segundo informação do cliente”.

Esta sopa de letrinhas pode gerar problemas se não compreendidas corretamente. Mesmo alguns acrônimos em inglês são mais difundidos do que sua tradução para o português, exemplos, AIDS ao invés de SIDA; e esquema HAART (highly active anti-retroviral therapy). Assim além de decorar os principais, é preciso saber de qual idioma procedem, e.g. não confundir nossa UTI com urinary tract infection.

Assim a leitura de um prontuário pode se tornar um quebra cabeça para o iniciante se este não possui uma “cola”. Alguns textos passam diversas dicas (ver http://www.mediconerd.com/2010/05/acronimos-medicos-abreviacoes-do.html), também existem outros em inglês e ainda o aplicativo para smartphone Epocrates, que podem ajudar.

Porém, nada melhor que o próprio novato produzir sua cola previamente, sabendo que na hora do aperto pode contar com a discreta ajuda de um residente, enfermeiro ou outro profissional mais interessado em ajudar, afinal não é muito desejável ser visto como uma “esponja” do saber alheio no ambiente de trabalho ;).

Quem tiver desprendimento para compartilhar seus rascunhos e arquivos não se acanhe e escreva nos comentários. Relatos pitorescos também são bem-vindos como a do incauto autor deste texto que confundiu o “forâmen oval patente” cardíaco com o “forâmen oval” por onde passa o nervo mandibular. Mas isto já é outra história…

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