Cuidados bucais em UTI pediátrica

A estudante da área da enfermagem Eliane Bastos enviou comentário que motivou o Portal a ir em busca de uma resposta que ainda não tinha sido adequadamente respondida (recentemente foi publicado post sobre protocolo específico para pacientes adultos). O que fazer em termos de cuidados orais em CTI pediátrica (CTIp), especialmente para prevenção da PAVM ?

Fomos direto ao bom e velho pubmed. Nele encontramos uma revisão e pesquisa neozelandeza que parece importante em responder alguns questionamentos sobre a postura da equipe multiprofissional em CTIs pediátricos quanto à higiene oral.

Vejam o artigo na íntegra em http://www.pediatricnursing.net/ce/2012/article36085096.pdf.

Quem não se garante no inglês pode tentar o tradutor virtual http://translate.google.com.br/.

Alguns dados relevantes do texto:

– Millikan et al. (1988) relata 11% de mortalidade por infecção nosocomial em CTIp, e a PAV é a 2ª causa mais comum de infecção, sendo a sepse sanguínea a mais prevalente.

– Comparado com CTI de adultos, o CTIp pode apresentar maior risco de PAV, pois o tubo orotraqueal não possui cuff, presença de entubação nasal, sistema de sucção com circuito aberto, entre outras situações (Institute for Healthcare Improvements [IHI], 2005).

– Na pesquisa com equipes de enfermagens os resultados mostraram que há preocupação com a higiene oral, mas que há necessidade de mais educação e estabelecimento de protocolos.

– Foram encontrados apenas 3 artigos (Cheng (2004) (RCT); Cheng et al, (2001); Franklin et al (2000)) relevantes para higiene oral em CTIp até 2006.

(*) no texto um quarto artigo é citado mas não é específico para CTIp

– Três intervenções podem ser caracterizadas como importantes para a equipe de enfermagem: inspeção oral (método mnemônico BRUSHED teeth), métodos mecânicos e farmacológicos.

PROTOCOLO MECÂNICO

– Apesar da ser comum o uso de esponjas em CTIp, estudos do Reino Unido mostram que há significativa redução de placa dentária (p = 0.001) e gengivite (p = 0.006), quando se utilizam escovas (Franklin et al., 2000).

– Escova macia pequena para crianças dentadas (Munro & Grap, 2004). Escova macia ou gaze montada com solução salina ou água filtrada (Protocolo da New Zealand Dental Association, 2006).

PROTOCOLO FARMACOLÓGICO

– Fluoretos, de 400 a 1000 PPM: (Marinho et al, 2003; O’Reilly, 2003).

– Digluconato de clorexidina, 0,12%: Estudos a recomendam (Cheng, 2004 (RCT); Cheng et al, 2001; Gibson & Nelson, 2000), porém não seria indicada para crianças abaixo de 6 anos por falta de relatos favoráveis e possibilidade de efeitos colaterais.

– Na figura 3 os materiais recomendados para a higiene onde são incluídos escova, pasta, escova com sucção, swabs de esponja e abridor de boca.

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Notas do Portal:

O método mnemônico Brushed Teeth (Hayes & Jones, 1995) na tabela 3 é bem interessante, mas falta nele informação sobre a função mandibular, entre outras ausências. Alertamos sempre para a necessidade de capacitação das equipes de enfermagem por Cirurgião Dentista habilitado e implantação de guia de inspeção bucal abrangente.

Não há menção à individualização do protocolo em função de modificações observadas na cavidade oral. Mais uma vez há necessidade de supervisão por CD.

Não há qualquer citação de atuação multiprofissional com a Odontologia, muito menos a necessidade de se acionar um CD para realização de procedimentos que possam ser necessários (até mesmo para facilitar a descontaminação, como por exemplo, o vedamento de cavidades ou a retirada de dentes em exfoliação).

Apesar de haver relatos sobre o óbvio aumento da qualidade da remoção do biofilme oral com escovas, ao invés das esponjas e gaze, desconheço estudo sobre a comparação entre as duas técnicas sobre a redução da PAV.

Um artigo brasileiro já tinha mostrado o quão importante é a capacitação e supervisão de equipes de enfermagem, que apesar da boa vontade, em geral não possui conhecimento específico sobre as questões da saúde bucal.

 

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