A história da Odontologia Hospitalar no Brasil – Dr. Nataldo Alexandre – RJ

Melhor que ter um superior hierárquico como amigo é poder admirá-lo como profissional e ser humano.

Consegui juntar todos estes sentimentos quando comecei a trabalhar na clínica odontológica da ABORJ, chefiada pelo Dr. Nataldo Alexandre.

Abaixo ele mesmo conta a sua rica, admirável e importante história. Não nos esqueçamos, no presente e no futuro, de quem começou e deu prosseguimento a Odontologia Hospitalar e demais segmentos da Medicina Oral.

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Ano 1973

Hospital Cardoso Fontes, localizado na estrada Grajaú – Jacarepaguá, RJ, na época, do INAMPS, depois do Ministério da Saúde, tendo passado pela gestão do município, por curto período (de triste memória).

Era diretor do referido hospital, o médico cardiologista, Dr. Amaury de Carvalho, de ampla visão administrativa, e que considero, nos meus cinquenta anos de atividade odontológica (no município, INAMPS, Fundação Leão XIII e vida privada), o médico que mais prestigiou um serviço de Odontologia.

Tendo sido escolhido pelos colegas que compunham a equipe – vinte dentistas, cinco auxiliares, estagiários, residentes R1 e R2 – para exercer o cargo de chefia do serviço, onde permaneci por 25 anos, por sugestão e iniciativa do diretor me foi proposta a criação de um serviço especializado de Odontologia para atender pacientes, ditos na época, excepcionais, hoje especiais.Ou seja, todos que apresentassem deficiências físicas, neurológicas ou patológicas, adquiridas ou não, que faziam com que não encontrassem atendimento especializado seguro.

Surgiu então o primeiro serviço “com essas características”, então inéditas, em regime hospitalar ou ambulatorial, para os que colaborassem e para os que não permitissem a abordagem, por serem portadores de patologias ou deficiências de vulto maior ou por necessitarem de tratamento sob anestesia geral (narcose).

Assim, as equipes médicas em suas especialidades participavam plenamente nos exames prévios necessários para opinar sobre a necessidade de acompanhamento e para ser emitido o chamado “risco cirúrgico”, mas que para nós e anestesistas era “risco anestésico”.

Formou-se então uma equipe multiprofissional, para a meta final, que era o tratamento odontológico. O paciente era internado e recebia alta pela Odontologia, com centro cirúrgico próprio, dotado de todos os recursos, incluindo equipamentos odontológicos e de anestesia os mais modernos.

Participavam do sistema os setores de internação, serviço social, enfermagem, anestesiologia, clinica médica e nutrição. O paciente tinha direito ainda a acompanhante (ambos com as refeições incluídas) e serviço de transporte, usando as ambulâncias para apanhar e levar os pacientes mais carentes financeiramente que morassem longe e com dificuldade de se locomover.

Todas as demais especialidades, quando solicitadas, permitiam ao paciente, na anestesia, se submeterem a outras intervenções como cirurgia de fimose, exames ginecológicos, pequenas cirurgia como retirada de unha infectada, tratamento e eliminação de focos de miíase (inclusive na boca), berne etc…

Com isso o serviço passou a ser referência, pois os poucos locais de atendimento existentes, não apresentavam toda essa estrutura. Realizamos, além dos cuidados ambulatoriais, em 20 anos, 10.000 tratamentos sob anestesia, com óbito zero. Atendemos pacientes com paralisia cerebral esclerose múltipla, sequelas neurológicas, ou motoras por traumatismo, autistas, neuropatas, cardiopatas, diabéticos, síndrome de Down, etc…

A Odontologia Hospitalar traz ao dentista um conhecimento e uma abrangência maior para encarar as dificuldades e os imprevistos no exercício da profissão, além de permitir uma visão melhor do relacionamento da boca com a saúde do corpo como um todo, e também, através da convivência com profissionais de outras áreas, traz um enriquecimento cultural dentro da área da saúde.

Uma coisa levo do meu viver, tenho duas fases na minha existência, uma antes e outra depois de ter vivido esses 25 anos no hospital, lá convivi com sucessos e insucessos, alegrias, tristezas e dificuldades, mas gratidão, feliz por ter tentado amainar a luta de uma população tão desvalida.

CENTRO ODONTOLÓGICO PARA PACIENTES ESPECIAIS DR. NATALDO ALEXANDRE

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(*) Se você conhece algum CD com história, ou estórias, na Odontologia Hospitalar ou quaisquer de seus segmentos, envie um comentario. Teremos o maior prazer em avaliar os textos e publicá-los para conhecimento geral.

Eleição do delegado eleitor para o CFO no RJ

O Conselho Regional de Odontologia do Rio de Janeiro realizará na próxima quinta-feira, dia 05 de julho, às 14:00, na sede do CRORJ, no Centro do Rio de Janeiro, a eleição de delegado eleitor, e suplente, para participação na eleição da próxima gestão do Conselho Federal de Odontologia.

É importantíssima a participação dos interessados no progresso da Odontologia, em especial da Medicina Oral, neste processo eleitoral do CFO. Assim, estomatologistas, atuantes em odontologia para pacientes especiais, dor orofacial, periodontia “médica”, odontogeriatras e clínicos que trabalhem na alta complexidade, entre outros, estão convocados para comparecerem, a partir das 13:00 horas no CRORJ para juntarem forças em prol de quem se esforça para o crescimento desta nobre área da Odontologia.

Como foi dito em post anterior, estas áreas, por serem novas e de menor repercussão entre os outros segmentos da saúde e população geral, precisam de maior apoio das entidades que regulam a profissão. E não há melhor momento para que as demandas sejam apresentadas do quem em uma eleição.