O estresse e a Odontologia

O estresse foi utilizado pela primeira vez na área da saúde por Hans Selye em 1936, adaptando um conceito da física para a capacidade dos materiais de suportar uma carga ou exigência. Alguns autores utilizam os termos distresse e eustresse para diferenciar, respectivamente, uma situação de estresse produtor de danos e estresse fisiológico, necessário ao funcionamento normal dos organismos.

Assim como na Medicina este é um dos temas mais importantes para a Odontologia – talvez ainda não tão valorizado como deveria -, desde o estresse que é causado ao paciente saudável no pré e transoperatório, quanto o causado no paciente idoso ou comprometido, especialmente o ASA III e IV, onde até um risco de intercorrência pode ser aumentado.

Também na estomatologia e na dor orofacial o conhecimento deste assunto é de total relevância para a condução dos casos pois, estomatites e dores crônicas possuem, na grande maioria dos casos, um alto percentual de participação psicossomática.

O estresse negativo, ou distresse, participa da desregulação dos sistemas imunológico, endocrinológico, neurovegetativo, do ritmo circadiano, do sono e até do sistema modulador da dor. Assim, a atividade de células brancas (e.g. produção de anticorpos e atividade fagocitária) pode ser reduzida ou aumentada, facilitando o estabelecimento de infecções ou doenças de autoagressão até mesmo na cavidade oral.

A produção hormonal alterada e a desregulação simpática-parassimpática afetam a função autonômica abrindo espaço para doenças sistêmicas como a hipertensão arterial, o diabetes, doenças cardiovasculares e também do sono.

As desordens do sono, como o próprio distresse, também podem prejudicar a autoregulação do sistema modulador da dor, onde mecanismos periféricos e centrais do sistema nervoso regulam a transmissão de impulsos dolorosos até o córtex cerebral. Esta é uma das causas mais comuns das dores crònicas, tanto orofaciais quanto sistêmicas.

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Sobre o estresse e sua participação em várias áreas da saúde a Dra. Juliana Stuginsky convida para evento da USP que ocorrerá neste fim de novembro. Veja informações em http://www.inovacao.usp.br/uspconferencias/estresse/programa.html

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Uma resposta para “O estresse e a Odontologia”

  1. É exatamente assim que ocorre!
    Mas para o profissional da área médica-odontológica detectar essa interferência é necessário que ele “leia” o paciente, até mesmo porque ainda que o paciente “se conheça”, o que é raro, se o profissional não tiver sensibilidade suficiente, jamais vai levar em consideração os dados fornecidos durante a consulta.
    Parabéns, Dr. Paulo Pimentel!
    Acredito, pelos seus comentários dentro do consultório e nos posts que essa seja uma de suas características diferenciais no mercado que atua.
    Sucesso!

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