As intenções por detrás da lei da Odontologia Hospitalar

Não é nada confortável escrever um texto para desnudar verdades que conflitam com as ações das lideranças que, em princípio, existem para proteger e enaltecer a profissão. Mas, as intenções demonstradas e as notícias recebidas conquanto a condução da Odontologia Hospitalar no Brasil merecem considerações aprofundadas para esclarecer pontos de vistas.

Em 2007 houve a movimentação inicial sobre o projeto de lei 2776, do então deputado Neilton Mulin, do Rio de Janeiro, e que, na ocasião tratava da Odontologia em UTI. Foi um trabalho político da diretoria do CRORJ e da ABORJ que convenceram o deputado sobre a importância da descontaminação oral na prevenção da PAV. Eles se basearam em trabalhos científicos que estavam sendo divulgados internacionalmente há alguns anos e que no Brasil tinham como maiores incentivadores periodontistas de São Paulo.

No início do trabalho legislativo o PL sofreu grandes críticas e se estagnou, mas mudanças na sua concepção, onde foi incluída uma visão mais abrangente para outros setores hospitalares e mesmo domiciliar (um bom trabalho da nova relatora, a deputada Érika Kokai), fez com que seu caminho no sentido da aprovação se tornasse mais facilitado.

Ultimamente temos recebidos várias notícias especialmente do CFO, que vem trabalhando muito para a aprovação do projeto, enaltecendo as vitórias no Senado onde o atual PLC 34, só depende agora do envio para a sanção presidencial. Mas, uma emenda foi sugerida que mereceu reflexão deste blog.

Analisando todo este quadro isoladamente, que já dura 5 anos, tem-se a impressão que a Odontologia Hospitalar é algo recente, e que está sendo construída a partir de agora. Porém isso não é verdade. Voltando um pouco no tempo é conhecido todo o trabalho já desenvolvido nos institutos de oncologia e hematologia do país que já vem da década de 1960. Hospitais gerais do país já desenvolviam trabalhos com pacientes neuropatas graves e sindrômicos desde a década de 1970. Nesta década residências em Odontologia Hospitalar já existiam, e na década de 1980 foi iniciada a residência do Hospital das Clínicas da USP, que dura até os dias atuais.

A criação da Estomatologia, foi fruto em grande parte da vivência e mudanças na vida hospitalar onde a maioria destes cirurgiões dentistas pioneiros já trabalhavam, e que acabou resultando na fundação da SOBEP (*).

Em 2002 a criação das especialidades da OPNE e a Odontogeriatria deram mais condições aos CDs de se armarem de conhecimentos e experiências que permitem a muitos deles, hoje em dia, terem importantes trabalhos com diversas áreas dos pacientes sistemicamente comprometidos, intra ou extra hospitalar.

Também em 2002 foi publicada a RDC nº 50 da ANVISA que trata normatização da estrutura física dos hospitais brasileiros. Nesta, a Odontologia já era contemplada com um espaço na emergência/urgência em um primeiro nível e com um ambulatório de apoio aos andares (enfermarias).

Outro marco da época foram CDs de diversos estados se mobilizarem em um ambicioso, mas ainda não concluído, projeto de uma associação nacional de OH criando a ABRAOH.

Em 2008, o CRO-RJ, um dos idealizadores do PL 2776, foi procurado por CDs do Rio de Janeiro, que tinham diversos tipos de vivências hospitalares, recebendo a sugestão de hospedar um grupo de cirurgiões-dentistas dispostos a dar uma dimensão maior ao PL e à própria Odontologia Hospitalar. Convencido pela lógica das evidências o Dr. Afonso Rocha, presidente do CRO-RJ, e demais  conselheiros tiveram a maturidade de receber este grupo e ainda criar a primeira comissão de Odontologia Hospitalar do país, reconhecendo que o PL 2776, apesar das boas intenções, era incompleto.

Nesta mesma época o MEC e o Ministério da saúde iniciaram as residências multiprofissionais, oferecendo à Odontologia a primeira perspectiva oficial, desde as tentativas iniciais da década de 1970, de uma formação hospitalar ampla, mesmo que desvinculada das especializações do CFO.

Paralelamente, os grupos de CDs ligados às entidades da Medicina Intensiva, SOBRATI e AMIB, vendo as possibilidades de mercado que a aprovação do PL poderia oferecer se mobilizaram criando, respectivamente, uma capacitação e influenciando a ANVISA a incorporar a assistência odontológica nos cuidados intensivos na RDC 7, que entrou em vigor em março deste ano.

Na esteira da criação da comissão de OH do RJ, outros CROs do país também foram se mobilizando para criação de suas comissões. Estas, em conjunto, vêm ganhando cada vez mais parceiras e desde 2011 estão se reunindo para discutir os diversos aspectos da estruturação e normatização desta área no país, afinal, e apesar de toda a história relatada acima, nunca se construiu um modelo permanente e claro da Odontologia Hospitalar no âmbito clínico.

Em 2012 e 2013 participaram dos encontros das comissões 24 estados e representantes do CFO, SOBEP, ABOPE e ABRAOH, mostrando o crescimento da necessidade em se aumentar a visão estratégica dos vários elementos afins com o tema.

A visão das comissões de Odontologia Hospitalar dos CROs é de que a área deve ser enxergada de uma forma ampla, e que não deve haver compartimentalizações na atuação hospitalar. Também recomenda ao CFO, principal entidade da classe, o adequado reconhecimento do CD preparado para a missão. Esta visão, que recentemente recebeu o apoio da SOBEP, uma das mais (senão a maior) importantes entidades vinculadas a ação odontológica clínica no ambiente de alta complexidade, pode estar ameaçada.

E é aí que volto a questão das intenções.

Pois, em uma forte campanha política para a aprovação do PLC 34 da Odontologia Hospitalar, o CFO mostra-se favorável à compartimentalização da área. Ao enaltecer a “Odontologia na UTI” ao invés da “Odontologia Hospitalar” o CFO desmerece o trabalho das comissões. Ao não criticar um texto impreciso e dúbio que preconiza a “assistência odontológica nas UTIs exclusivamente ao CD e fora desta não” o CFO parece concordar com a lógica de que o trabalho do CD fora da UTI é menos importante que nesta. O CFO ainda utiliza o falho argumento de que apenas o trabalho do CD seria o responsável pela redução da PAV, quando não se conhece evidências de que técnicos empenhados na mesma função sejam menos eficientes. E foi por este motivo que o PLC 34 recebeu uma emenda na última semana, afinal a presença do CD só deverá ter relevância quando houver um motivo real que justifique sua presença na UTI, a despeito do trabalho que deve exercer como um norteador das questões envolvendo a saúde bucal e prevenção de agravos, em todo hospital.

O CFO pode argumentar que está fazendo um trabalho político, e que tecnicismos não cabem neste momento. Mas nada justifica jogar para a plateia que a UTI, e não o hospital é o foco. Nada justifica a hipervalorização da “assistência odontológica” na prevenção da PAV e a não valorização da assistência ao paciente cardiopata grave que está prestes a ser operado, ao doente sob quimioterapia apresentando uma mucosite severa, a necessidade de atendimento sob monitorização de um paciente com histórico de choque anafilático, o atendimento de coagulopatas e a necessidade de um patologista bucal nos serviços hospitalares de anatomopatologia. Estes são só alguns dos muitos exemplos de como a presença do CD vai alterar significativamente o diagnóstico, a evolução e o tempo de cura.

O CFO mostra intenções de cunho eminentemente político ao, por exemplo, negar às comissões um legítimo papel de importância na condução das articulações envolvendo a Odontologia Hospitalar. Também desdenha suas próprias câmaras técnicas que poderiam estar lhe prestando um auxílio evidenciando a importância da Estomatologia, da OPNE e da Odontogeriatria no atendimento aos pacientes comprometidos tanto intra quanto extra hospitalares, ambos objetos deste projeto de lei.

Se existe alguém com autoridade para se utilizar politicamente deste projeto, este é o CRO-RJ, ou a ABORJ, pois foram os dirigentes destas entidades que deram o início a todo este projeto. São os verdadeiros e genuínos “Pais da Criança”. Mas, mesmo estes dirigentes, tiveram a grandeza de enxergar que a Odontologia Hospitalar é algo muito maior do que escovar dentes, aspirar secreções e besuntar clorexidina nos pacientes entubados. É algo muito maior do que agir corporativamente, a despeito da impossibilidade prática de se colocar CDs em todas as UTIs do país, trabalhando diuturnamente nos 7 dias da semana, algo que nenhum país do mundo fez(**).

O CRO-RJ deu o pontapé inicial para as comissões, não restringindo em nenhum momento a voz e a opinião dos diversos CDs do estado envolvidos com os diversos aspectos da OH. E a ABORJ tem aberto a possibilidade de se realizar eventos em seus congressos e recentemente autorizou a implantação de um curso de Odontologia Hospitalar com a visão da atuação integral sem interpor qualquer objeção, pelo contrário.

Dizer que o projeto de lei ao virar lei vai transformar a Odontologia Hospitalar no país é algo tão falacioso quanto afirmar que organizar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada vão melhorar a qualidade de vida da população.

A qualidade da Odontologia Hospitalar depende de gestão, de ciência, de formação acadêmica e, acima de tudo, de organização institucional. O CFO ao permanecer em cima do muro e não se decidir sobre a criação de um grupo oficial de OH, mostra que está à mercê. Ao não sentar para conversar com o MEC e Ministério da Saúde sobre a questão das residências multiprofissionais em hospitais, mostra que é cativo de um conceito atrasado de formação acadêmica. Ao não se posicionar sobre as normas de qualificação profissional do CD que atuará na alta complexidade lava as mãos e mostra que deixará a cargo de conveniências de ocasião esta necessária e urgente decisão.

Eu me decidi pela Odontologia porque gosto desta profissão. Gosto de ajudar pessoas e livrá-las de suas doenças. Mas a Odontologia não é mais a mesma de 30 anos atrás. Boa parte dos CDs não querem e não precisam mais ficar enfurnados em consultórios realizando procedimentos curativos. A Odontologia para ser respeitada como área de saúde, e mesmo como profissão deve evoluir. Deve considerar muito a possibilidade de se portar como uma área médica, pois não é outro papel que o CD desempenha ao emitir diagnósticos, prescrever, pedir exames, atuar invasivamente, internar e se sujeitar a todos os riscos que estas funções acarretam. Se isto se dará com CRO ou com CRM não me cabe decidir, mas a necessidade do conhecimento médico e de um amadurecimento institucional são cada vez mais necessários.

Que o CFO, minha casa, entenda que estas palavras não são contra pessoas, contra colegas que certamente estão tão imbuídos quanto eu no crescimento da profissão. Mas contra uma ideologia que é predominante nesta entidade. A de que a Odontologia não é protagonista no processo de saúde geral da população.

Eu, como Cirurgião-Dentista, quero o devido respeito que mereço pelo que eu faço e pelo que eu represento.

CFO, nos ajude.

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(*) Informações em negrito atualizadas e corrigidas em 17/11/13 e mais informações no comentário abaixo e em post sobre histórico da OH.

(**) a redução da incidência de PAV é resultado de uma série de mudanças nas rotinas dos pacientes entubados. Em nenhum país do mundo foi exigida a obrigatoriedade da higiene oral por CDs.

Intervenções psicossociais devem ser priorizadas aos procedimentos irreversíveis para o controle da dor crônica orofacial

Abstract

Background
Psychosocial factors have a role in the onset of chronic orofacial pain. However, current management involves invasive therapies like occlusal adjustments and splints which lack an evidence base.

Objectives
To determine the efficacy of non-pharmacologic psychosocial interventions for chronic orofacial pain.

Search methods
The following electronic databases were searched: the Cochrane Oral Health Group Trials Register (to 25 October 2010), the Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (The Cochrane Library 2010, Issue 4), MEDLINE via OVID (1950 to 25 October 2010), EMBASE via OVID (1980 to 25 October 2010) and PsycINFO via OVID (1950 to 25 October 2010). There were no restrictions regarding language or date of publication.

Selection criteria
Randomised controlled trials which included non-pharmacological psychosocial interventions for adults with chronic orofacial pain compared with any other form of treatment (e.g. usual care like intraoral splints, pharmacological treatment and/or physiotherapy).

Data collection and analysis
Data were independently extracted in duplicate. Trial authors were contacted for details of randomisation and loss to follow-up, and also to provide means and standard deviations for outcome measures where these were not available. Risk of bias was assessed and disagreements between review authors were discussed and another review author involved where necessary.

Main results
Seventeen trials were eligible for inclusion into the review. Psychosocial interventions improved long-term pain intensity (standardised mean difference (SMD) -0.34, 95% confidence interval (CI) -0.50 to -0.18) and depression (SMD -0.35, 95% CI -0.54 to -0.16). However, the risk of bias was high for almost all studies. A subgroup analysis revealed that cognitive behavioural therapy (CBT) either alone or in combination with biofeedback improved long-term pain intensity, activity interference and depression. However the studies pooled had high risk of bias and were few in number. The pooled trials were all related to temporomandibular disorder (TMD).

Authors’ conclusions
There is weak evidence to support the use of psychosocial interventions for chronic orofacial pain. Although significant effects were observed for outcome measures where pooling was possible, the studies were few in number and had high risk of bias. However, given the non-invasive nature of such interventions they should be used in preference to other invasive and irreversible treatments which also have limited or no efficacy. Further high quality trials are needed to explore the effects of psychosocial interventions on chronic orofacial pain.

Fonte: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD008456.pub2/abstract

Dúvidas sobre a necessidade de profilaxia antibiótica para prevenção da endocardite infecciosa antes de procedimentos odontológicos

Abstract
Background
Infective endocarditis is a severe infection arising in the lining of the chambers of the heart with a high mortality rate.
Many dental procedures cause bacteraemia and it was believed that this may lead to bacterial endocarditis (BE) in a few people. Guidelines in many countries have recommended that prior to invasive dental procedures antibiotics are administered to people at high risk of endocarditis. However, recent guidance by the National Institute for Health and Care Excellence (NICE) in England and Wales has recommended that antibiotics are not required.
Objectives
To determine whether prophylactic antibiotic administration, compared to no such administration or placebo, before invasive dental procedures in people at risk or at high risk of bacterial endocarditis influences mortality, serious illness or the incidence of endocarditis.

Search methods
The following electronic databases were searched: the Cochrane Oral Health Group’s Trials Register (to 21 January 2013), the Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (The Cochrane Library 2012, Issue 12), MEDLINE via OVID (1946 to 21 January 2013) and EMBASE via OVID (1980 to 21 January 2013). We searched for ongoing trials in the US National Institutes of Health Trials Register (http://clinicaltrials.gov) and the metaRegister of Controlled Trials (http://www.controlled-trials.com/mrct/). No restrictions were placed on the language or date of publication when searching the electronic databases.

Selection criteria
Due to the low incidence of BE it was anticipated that few if any trials would be located. For this reason, cohort and case-control studies were included where suitably matched control or comparison groups had been studied. The intervention was the administration of antibiotic, compared to no such administration, before a dental procedure in people with an increased risk of BE. Cohort studies would need to follow those individuals at increased risk and assess outcomes following any invasive dental procedures, grouping by whether prophylaxis was received or not. Included case-control studies would need to match people who had developed endocarditis (and who were known to be at increased risk before undergoing an invasive dental procedure preceding the onset of endocarditis) with those at similar risk but who had not developed endocarditis. Outcomes of interest were mortality or serious adverse events requiring hospital admission; development of endocarditis following any dental procedure in a defined time period; development of endocarditis due to other non-dental causes; any recorded adverse events to the antibiotics; and cost implications of the antibiotic provision for the care of those patients who developed endocarditis.
Data collection and analysis
Two review authors independently selected studies for inclusion then assessed risk of bias and extracted data from the included study.
Main results
No randomised controlled trials (RCTs), controlled clinical trials (CCTs) or cohort studies were included. One case-control study met the inclusion criteria. It collected all the cases of endocarditis in the Netherlands over two years, finding a total of 24 people who developed endocarditis within 180 days of an invasive dental procedure, definitely requiring prophylaxis according to current guidelines, and who were at increased risk of endocarditis due to a pre-existing cardiac problem. This study included participants who died because of the endocarditis (using proxies). Controls attended local cardiology outpatient clinics for similar cardiac problems, had undergone an invasive dental procedure within the past 180 days, and were matched by age with the cases. No significant effect of penicillin prophylaxis on the incidence of endocarditis could be seen. No data were found on other outcomes.
Authors’ conclusions
There remains no evidence about whether antibiotic prophylaxis is effective or ineffective against bacterial endocarditis in people at risk who are about to undergo an invasive dental procedure. It is not clear whether the potential harms and costs of antibiotic administration outweigh any beneficial effect. Ethically, practitioners need to discuss the potential benefits and harms of antibiotic prophylaxis with their patients before a decision is made about administration.

Fonte: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD003813.pub4/abstract

Projeto da Odontologia Hospitalar recebe emenda

fotografia do senador

O Senador Wellington Dias (PT-PI) propôs emenda ao PLC 34 que trata da Odontologia Hospitalar (sim, este é o termo correto já que a redação do texto não trata apenas de UTI). Veja http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=138783&tp=1.

Ele pede a modificação do parágrafo 3º sugerindo que a obrigatoriedade da presença do CD só deve se dar quando houver problema de saúde bucal.

Realmente, conforme a redação atual aprovada em 02/10/13 (veja http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=137546&tp=1), não há definição sobre o que é “assistência odontológica”. Assim não fica claro, por exemplo, se a descontaminação oral é um procedimento de execução obrigatória de CD. Lá está escrito: ” O § 3º do artigo determina que a assistência odontológica aos pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) deverá ser, obrigatoriamente, prestada por cirurgião-dentista…

Como o próprio manual de descontaminação oral do departamento de Odontologia da AMIB também não recomenda que este procedimento seja da competência exclusiva do CD é compreensível o questionamento pelo Senador.

Ele cita ainda a Política Nacional de Atenção Hospitalar do SUS para lembrar a participação de equipes multiprofissionais na promoção de saúde e prevenção de agravos (que podem ser da competência de profissionais de nível técnico como TSBs e técnicos de enfermagem). Menciona ainda o diagnóstico, tratamento e reabilitação (que são de competência exclusiva do CD quando se trata de doença da boca e estruturas associadas como glândulas salivares e ATM, entre outras).

O Portal da Medicina Oral também não entende o porquê da redação final deste 3º parágrafo ao citar “…que os pacientes de outras unidades hospitalares que não a UTI sejam assistidos por “outros profissionais devidamente habilitados para atuar na área, supervisionados por um odontólogo.” O correto seria que este parágrafo tivesse um texto único para todo o hospital, onde o CD fosse designado responsável pelas estratégias gerais de inspeção, promoção de saúde bucal e prevenção de agravos atuando de forma multiprofissional, e, quando em situações de diagnóstico ou realização de procedimentos de competência exclusiva, fosse o CD o responsável pela sua execução, conforme o que trata a lei da Odontologia.

Se as Comissões Estaduais de Odontologia Hospitalar dos CROs fossem consultadas e valorizadas talvez estes impasses não ocorressem. Afinal, não basta fazer lobby. É preciso ter conhecimento de causa para defender a profissão.

Como esta é a única emenda proposta até o término do prazo, assim que houver sua apreciação o PLC seguirá para a sanção presidencial. Ver a íntegra da tramitação em http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=112975.
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Texto abaixo incluído às 11:44 do mesmo dia.
(*) O texto final do § 3º pode até ser considerado inconstitucional e ilegal ao sugerir que a assistência odontológica (que dependendo da situação pode ser um procedimento exclusivo do CD, como uma drenagem de abscesso ou a atuação em centro cirúrgico) pode ser prestada por “outros profissionais devidamente habilitados“.
(**) O senado foi bastante feliz em substituir o desnecessário anglicismo “home care” pelo conveniente termo “internação domiciliar” no texto definitivo.

Evento em Brasília sobre OPNE, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar e Domiciliar

Mensagem enviada pelo Prof. Alexandre Miranda (DF)

AOS AMIGOS E COLEGAS ”ESPECIAIS”,

Entre os dias 06 a 08 de dezembro de 2013, acontecerá em Brasília o 1° CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE A SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA (CISPoD) que será associado ao 11° CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PROFESSORES DE ODONTOLOGIA PARA PACIENTES ESPECIAIS (ABOPE) e a 25° JORNADA ODONTOLÓGICA BRASILEIRA DE ESTUDOS SOBRE PACIENTES ESPECIAIS (JOPE).

Esse evento está sendo planejado há algum tempo e contará com a participação de vários segmentos da área da saúde, familiares e interessados na PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA e INCLUSÃO SOCIAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E GRUPOS ESPECIAIS.

VENHO CONVIDÁ-LOS A ENVIAREM SEUS TRABALHOS CIENTÍFICOS NA ÁREA DE ODONTOLOGIA PARA PACIENTES ESPECIAIS (PESSOAS COM DEFICIÊNCIA) E GRUPOS ESPECIAIS !!! PESQUISAS CLÍNICAS, RELATOS DE CASOS CLÍNICOS, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS E DE SERVIÇOS QUE ASSISTAM ESSE GRUPO POPULACIONAL.

GOSTARIA QUE BRASÍLIA SE “APRESENTASSE” PARA O BRASIL COMO UM PÓLO TÉCNICO-CIENTÍFICO, CLÍNICO E EDUCACIONAL NA ÁREA ESPECIAL!

A PARTE CLÍNICA É IMPORTANTE, MAS NÃO TEM SEU VALOR SE O CONTEXTO TÉCNICO-CIENTÍFICO NÃO FOR REALIZADO, DIVULGADO E DISSEMINADO!

CONTO COM TODOS VOCÊS! DIVULGUEM SEUS TRABALHOS E SERVIÇOS !!!

Prazo máximo para envio de trabalhos até o dia 10 de novembro de 2013.

NORMAS: http://www.cispod.com.br/inscreva-se/trabalhos-cientificoswww.cispod.com.br

ÁREAS TEMÁTICAS ESPECIAIS E DE GRUPOS ESPECIAIS:

1- Legislação Odontológica para Pacientes Especiais e Odontogeriatria (CFO): O cirurgião-dentista capacitado;

2- Conceitos de pessoas com necessidades especiais, pessoas com deficiência; Ser especial: O profissional da Odontologia ou a pessoa com deficiência; O envelhecimento da população brasileira – idoso e suas peculiaridades;

3- Políticas públicas em saúde bucal derecionadas a pacientes especiais e idosos;

4- O serviço público de atenção em saúde bucal para pacientes especiais e idosos;

5- O serviço particular (consultorio particular, planos de saúde) de atenção em saúde bucal para pacientes especiais e idosos;

6- Tipos de pacientes especiais;

7- Deficiências físicas, sensoriais, multisensoriais e a prática odontológica;

8- Distúrbios comportamentais (autismo, transtornos alimentares) e a prática odontológica;

9- Condições e doenças sistêmicas (diabetes, insuficiência renal crônica, anemias, hemofilia, epilepsias, cardiopatias, etilistas, usuários de drogas, leucemia, gestante/intrauterina, oncológicos, transplantados) e a prática odontológica;

10- Transtornos psiquiátricos (esquizofrenia, depressão, fobia, ansiedade) e a prática odontológica;

11- Doenças infecto-contagiosas (Hepatite e AIDS) e a prática odontológica;

12- Alterações genéticas (Down, Klinefelter, Crouzon…) e a prática odontológica;

13- Multi-interdiciplinariedade; Transdisciplinariedade;

14- Aspectos éticos, bióticos, legais e jurídicos no atendimento odontológico para pessoas com deficiência idosos;

15- Aspectos psicológicos no atendimento em saúde para pessoas com deficiência e idosos em nível de consultório e hospitalar;

16- Técnicas de manejo clínico e adptação profissional no atendimento a pacientes especiais e idosos;

17- Considerações farmacológicas na prática odontológica para pacientes especiais e idosos;

18- Considerações de Imageologia e Ortodontia para pacientes especiais e odontogeriatria – técnicas e abordagem;

19- Conceitos de envelhecimento, senilidade, odontogeriatria, gerontologia;

20- Tipos de pacientes idosos;

21- Atendimento odontológico a pacientes idosos independentes, semi dependentes e dependentes;

22- Enfermidades específicas do envelhecimento;

23- Relação saúde sistêmica e saúde bucal de idosos;

24- Diabetes, hipertensão, cardiopatias, osteoporose, doenças neurodegenerativas ( Alzheimer, Parkinson, AVC…) e a prática odontológica geriátrica;

25- Atendimento odontológico a pacientes especiais e idosos em nível ambulatorial ( consultório);

26- Orientações na ultilização de métodos sedativos ( sedação medicamentosa, óxido nitroso) nas condutas odontológicas para pacientes especiais e idosos;

27- Orientações no uso do laser de baixa intensidade em pacientes especiais e odontogeriatria;

28- Considerações no atendimento odontológico a pacientes especiais e idosos em nível domiciliar (home care);

29- Considerações no atendimento odontológico a pacientes especiais e idosos em nível hospitalar: Centro cirúrgico e enfermaria;

30- Considerações no atendimento odontológico a pacientes especiais e idosos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI);

31- Cuidados paliativos – cuidados no fim da vida e a prática odontológica;

Atenciosamente,

Alexandre Franco Miranda

Comissão Organizadora 1° CISPoD

Coordenador Comissão Científica – 11° ABOPE / 25° JOPE, Brasília-DF, 2013

link currículo lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4217681Y9

Contatos:

61 8136-9896

alexandrefmiranda@hotmail.com