As intenções por detrás da lei da Odontologia Hospitalar

Não é nada confortável escrever um texto para desnudar verdades que conflitam com as ações das lideranças que, em princípio, existem para proteger e enaltecer a profissão. Mas, as intenções demonstradas e as notícias recebidas conquanto a condução da Odontologia Hospitalar no Brasil merecem considerações aprofundadas para esclarecer pontos de vistas.

Em 2007 houve a movimentação inicial sobre o projeto de lei 2776, do então deputado Neilton Mulin, do Rio de Janeiro, e que, na ocasião tratava da Odontologia em UTI. Foi um trabalho político da diretoria do CRORJ e da ABORJ que convenceram o deputado sobre a importância da descontaminação oral na prevenção da PAV. Eles se basearam em trabalhos científicos que estavam sendo divulgados internacionalmente há alguns anos e que no Brasil tinham como maiores incentivadores periodontistas de São Paulo.

No início do trabalho legislativo o PL sofreu grandes críticas e se estagnou, mas mudanças na sua concepção, onde foi incluída uma visão mais abrangente para outros setores hospitalares e mesmo domiciliar (um bom trabalho da nova relatora, a deputada Érika Kokai), fez com que seu caminho no sentido da aprovação se tornasse mais facilitado.

Ultimamente temos recebidos várias notícias especialmente do CFO, que vem trabalhando muito para a aprovação do projeto, enaltecendo as vitórias no Senado onde o atual PLC 34, só depende agora do envio para a sanção presidencial. Mas, uma emenda foi sugerida que mereceu reflexão deste blog.

Analisando todo este quadro isoladamente, que já dura 5 anos, tem-se a impressão que a Odontologia Hospitalar é algo recente, e que está sendo construída a partir de agora. Porém isso não é verdade. Voltando um pouco no tempo é conhecido todo o trabalho já desenvolvido nos institutos de oncologia e hematologia do país que já vem da década de 1960. Hospitais gerais do país já desenvolviam trabalhos com pacientes neuropatas graves e sindrômicos desde a década de 1970. Nesta década residências em Odontologia Hospitalar já existiam, e na década de 1980 foi iniciada a residência do Hospital das Clínicas da USP, que dura até os dias atuais.

A criação da Estomatologia, foi fruto em grande parte da vivência e mudanças na vida hospitalar onde a maioria destes cirurgiões dentistas pioneiros já trabalhavam, e que acabou resultando na fundação da SOBEP (*).

Em 2002 a criação das especialidades da OPNE e a Odontogeriatria deram mais condições aos CDs de se armarem de conhecimentos e experiências que permitem a muitos deles, hoje em dia, terem importantes trabalhos com diversas áreas dos pacientes sistemicamente comprometidos, intra ou extra hospitalar.

Também em 2002 foi publicada a RDC nº 50 da ANVISA que trata normatização da estrutura física dos hospitais brasileiros. Nesta, a Odontologia já era contemplada com um espaço na emergência/urgência em um primeiro nível e com um ambulatório de apoio aos andares (enfermarias).

Outro marco da época foram CDs de diversos estados se mobilizarem em um ambicioso, mas ainda não concluído, projeto de uma associação nacional de OH criando a ABRAOH.

Em 2008, o CRO-RJ, um dos idealizadores do PL 2776, foi procurado por CDs do Rio de Janeiro, que tinham diversos tipos de vivências hospitalares, recebendo a sugestão de hospedar um grupo de cirurgiões-dentistas dispostos a dar uma dimensão maior ao PL e à própria Odontologia Hospitalar. Convencido pela lógica das evidências o Dr. Afonso Rocha, presidente do CRO-RJ, e demais  conselheiros tiveram a maturidade de receber este grupo e ainda criar a primeira comissão de Odontologia Hospitalar do país, reconhecendo que o PL 2776, apesar das boas intenções, era incompleto.

Nesta mesma época o MEC e o Ministério da saúde iniciaram as residências multiprofissionais, oferecendo à Odontologia a primeira perspectiva oficial, desde as tentativas iniciais da década de 1970, de uma formação hospitalar ampla, mesmo que desvinculada das especializações do CFO.

Paralelamente, os grupos de CDs ligados às entidades da Medicina Intensiva, SOBRATI e AMIB, vendo as possibilidades de mercado que a aprovação do PL poderia oferecer se mobilizaram criando, respectivamente, uma capacitação e influenciando a ANVISA a incorporar a assistência odontológica nos cuidados intensivos na RDC 7, que entrou em vigor em março deste ano.

Na esteira da criação da comissão de OH do RJ, outros CROs do país também foram se mobilizando para criação de suas comissões. Estas, em conjunto, vêm ganhando cada vez mais parceiras e desde 2011 estão se reunindo para discutir os diversos aspectos da estruturação e normatização desta área no país, afinal, e apesar de toda a história relatada acima, nunca se construiu um modelo permanente e claro da Odontologia Hospitalar no âmbito clínico.

Em 2012 e 2013 participaram dos encontros das comissões 24 estados e representantes do CFO, SOBEP, ABOPE e ABRAOH, mostrando o crescimento da necessidade em se aumentar a visão estratégica dos vários elementos afins com o tema.

A visão das comissões de Odontologia Hospitalar dos CROs é de que a área deve ser enxergada de uma forma ampla, e que não deve haver compartimentalizações na atuação hospitalar. Também recomenda ao CFO, principal entidade da classe, o adequado reconhecimento do CD preparado para a missão. Esta visão, que recentemente recebeu o apoio da SOBEP, uma das mais (senão a maior) importantes entidades vinculadas a ação odontológica clínica no ambiente de alta complexidade, pode estar ameaçada.

E é aí que volto a questão das intenções.

Pois, em uma forte campanha política para a aprovação do PLC 34 da Odontologia Hospitalar, o CFO mostra-se favorável à compartimentalização da área. Ao enaltecer a “Odontologia na UTI” ao invés da “Odontologia Hospitalar” o CFO desmerece o trabalho das comissões. Ao não criticar um texto impreciso e dúbio que preconiza a “assistência odontológica nas UTIs exclusivamente ao CD e fora desta não” o CFO parece concordar com a lógica de que o trabalho do CD fora da UTI é menos importante que nesta. O CFO ainda utiliza o falho argumento de que apenas o trabalho do CD seria o responsável pela redução da PAV, quando não se conhece evidências de que técnicos empenhados na mesma função sejam menos eficientes. E foi por este motivo que o PLC 34 recebeu uma emenda na última semana, afinal a presença do CD só deverá ter relevância quando houver um motivo real que justifique sua presença na UTI, a despeito do trabalho que deve exercer como um norteador das questões envolvendo a saúde bucal e prevenção de agravos, em todo hospital.

O CFO pode argumentar que está fazendo um trabalho político, e que tecnicismos não cabem neste momento. Mas nada justifica jogar para a plateia que a UTI, e não o hospital é o foco. Nada justifica a hipervalorização da “assistência odontológica” na prevenção da PAV e a não valorização da assistência ao paciente cardiopata grave que está prestes a ser operado, ao doente sob quimioterapia apresentando uma mucosite severa, a necessidade de atendimento sob monitorização de um paciente com histórico de choque anafilático, o atendimento de coagulopatas e a necessidade de um patologista bucal nos serviços hospitalares de anatomopatologia. Estes são só alguns dos muitos exemplos de como a presença do CD vai alterar significativamente o diagnóstico, a evolução e o tempo de cura.

O CFO mostra intenções de cunho eminentemente político ao, por exemplo, negar às comissões um legítimo papel de importância na condução das articulações envolvendo a Odontologia Hospitalar. Também desdenha suas próprias câmaras técnicas que poderiam estar lhe prestando um auxílio evidenciando a importância da Estomatologia, da OPNE e da Odontogeriatria no atendimento aos pacientes comprometidos tanto intra quanto extra hospitalares, ambos objetos deste projeto de lei.

Se existe alguém com autoridade para se utilizar politicamente deste projeto, este é o CRO-RJ, ou a ABORJ, pois foram os dirigentes destas entidades que deram o início a todo este projeto. São os verdadeiros e genuínos “Pais da Criança”. Mas, mesmo estes dirigentes, tiveram a grandeza de enxergar que a Odontologia Hospitalar é algo muito maior do que escovar dentes, aspirar secreções e besuntar clorexidina nos pacientes entubados. É algo muito maior do que agir corporativamente, a despeito da impossibilidade prática de se colocar CDs em todas as UTIs do país, trabalhando diuturnamente nos 7 dias da semana, algo que nenhum país do mundo fez(**).

O CRO-RJ deu o pontapé inicial para as comissões, não restringindo em nenhum momento a voz e a opinião dos diversos CDs do estado envolvidos com os diversos aspectos da OH. E a ABORJ tem aberto a possibilidade de se realizar eventos em seus congressos e recentemente autorizou a implantação de um curso de Odontologia Hospitalar com a visão da atuação integral sem interpor qualquer objeção, pelo contrário.

Dizer que o projeto de lei ao virar lei vai transformar a Odontologia Hospitalar no país é algo tão falacioso quanto afirmar que organizar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada vão melhorar a qualidade de vida da população.

A qualidade da Odontologia Hospitalar depende de gestão, de ciência, de formação acadêmica e, acima de tudo, de organização institucional. O CFO ao permanecer em cima do muro e não se decidir sobre a criação de um grupo oficial de OH, mostra que está à mercê. Ao não sentar para conversar com o MEC e Ministério da Saúde sobre a questão das residências multiprofissionais em hospitais, mostra que é cativo de um conceito atrasado de formação acadêmica. Ao não se posicionar sobre as normas de qualificação profissional do CD que atuará na alta complexidade lava as mãos e mostra que deixará a cargo de conveniências de ocasião esta necessária e urgente decisão.

Eu me decidi pela Odontologia porque gosto desta profissão. Gosto de ajudar pessoas e livrá-las de suas doenças. Mas a Odontologia não é mais a mesma de 30 anos atrás. Boa parte dos CDs não querem e não precisam mais ficar enfurnados em consultórios realizando procedimentos curativos. A Odontologia para ser respeitada como área de saúde, e mesmo como profissão deve evoluir. Deve considerar muito a possibilidade de se portar como uma área médica, pois não é outro papel que o CD desempenha ao emitir diagnósticos, prescrever, pedir exames, atuar invasivamente, internar e se sujeitar a todos os riscos que estas funções acarretam. Se isto se dará com CRO ou com CRM não me cabe decidir, mas a necessidade do conhecimento médico e de um amadurecimento institucional são cada vez mais necessários.

Que o CFO, minha casa, entenda que estas palavras não são contra pessoas, contra colegas que certamente estão tão imbuídos quanto eu no crescimento da profissão. Mas contra uma ideologia que é predominante nesta entidade. A de que a Odontologia não é protagonista no processo de saúde geral da população.

Eu, como Cirurgião-Dentista, quero o devido respeito que mereço pelo que eu faço e pelo que eu represento.

CFO, nos ajude.

__________________________________

(*) Informações em negrito atualizadas e corrigidas em 17/11/13 e mais informações no comentário abaixo e em post sobre histórico da OH.

(**) a redução da incidência de PAV é resultado de uma série de mudanças nas rotinas dos pacientes entubados. Em nenhum país do mundo foi exigida a obrigatoriedade da higiene oral por CDs.

18 respostas para “As intenções por detrás da lei da Odontologia Hospitalar”

  1. PERFEITO!! Aguardemos que o bom senso prevaleça e que sem vaidades a odontologia alcance o patamar que nós desejamos.
    Abraço e parabéns,Jorge Barbosa,,,,,,,,

  2. “Eu, como Cirurgião-Dentista, quero o devido respeito que mereço pelo que eu faço e pelo que eu represento. (…) CFO, nos ajude.”

    Em nome de Jesus, vc já tem!
    És muito abençoado…
    Odontologia Humana é vc quem faz!

  3. Há tempos venho me sentindo muito desconfortável com todo o barulho que vem ocorrendo sobre o tema. Muito verdadeiro. Que o bom senso prevaleça! Que possamos estar cada dia mais unidos!!!

    1. Caro Alberto e demais,
      Se não houver alguém que tente esclarecer as coisas somos manipulados.
      Existe risco sim, em me manifestar dessa forma, mas pelo menos minha consciência fica mais tranquila.
      Abraços a todos e obrigado

  4. Até que enfim alguém que falou tudo o que eu falo ao vento! É isso que temos que focar, a Odontologia em seu conceito amplo de promoção de saúde! A odontologia em ambiente hospitalar não é prevenção de cáries, é diagnóstico de síndromes, é tratamento multiprofissional, é devolver ao paciente a condição de se alimentar, de falar. A boca não pode mais ser tratada como um órgão externo ela faz parte do sistema corpo, não se dissocia. E é culpa dos nossos CROs e CFO que a odontologia tenha se distanciado tanto da medicina e agora tenha que trilhar este árduo caminho de volta. Que me desculpem os dirigentes dos CROs e CFO, mas vocês estão brincando de cuidar da odontologia em nosso país!

      1. Olá Paulo,

        Que bom existir pessoas que tem a coragem de polemizar, só assim crescemos enquanto profissionais e enquanto pessoas, espero que o que vc. cita seja algo para reflexão de todos, parabéns pela forma consciente e sábia de expressão.

  5. As coisas não podem ser como um ou outro quer. Tudo a seu tempo.
    A OH ainda em fase de estudos nos CROs dos estados através das suas Comissões, determinarão os rumos e perfil da atuação do CD em ambiente hospitalar.. Não adianta querer acelerar. É o que está acontecendo com a ideia de se criar o Colégio Brasileiro de Odontologia Hospitalar e Intensiva. Isto é próprio da personalidade dos afoitos. Existem ene entidades que podem muito bem cumprir com os objetivos inerentes á prática da Odontologia Hospitalar. Não gostei do “desabafo denuncia” publicada pelo colega em 30/10/13 “O que está por detrás da lei da Odontologia Hospitalar”. Achei inoportuno. Estão se queimando etapas em prejuízo do coletivo.
    O histórico da OH feito é falho e incompleto. Muitos não eram nascidos quando colegas bucomaxilos (Prof.Mário Graziani na Santa Casa, Prof J J Barros no H.Clinicas, Prof Reinaldo Canto Pereira no H.de Defeitos da Face, e tantos outros) já atuavam em hospitais..
    É falso que a Estomatologia e SOBEP(antes SOBE) se inspiraram na Academia Americana de Medicina Oral para sua consolidação.
    Verdadeiro é que se a emenda do PLC 34 facultar a presença do CD só em “caso de motivo real que justifique sua presença na UTI” haverá a descaracterização do principio fundamental da Lei que é o caráter preventivo na atuação do CD na UTI e tudo que foi amealhado até hoje vai por agua abaixo.
    Verdade é que quase nada tem sido feito junto a ANVISA, MEC, MINISTÉRIO DA SAÚDE, CRM, FEDERAÇÕES, SINDICATOS E OUTRAS ENTIDADES AFINS, para a consolidação do sentido mais amplo da Odontologia Hospitalar. O CFO tem que mostrar mais a sua atuação política, já que os CROs têm feito a sua parte.
    É falsa a pretensão de querer ser “verdadeiros e genuínos Pais da Criança” em detrimento ao que fizeram muito antes as Comissões de Odontologia dos CROs dos outros estados
    Nos dias 30 e 31 de janeiro de 2014 acontecerá a “IV Reunião Oficial das Comissões de Odontologia Hospitalar dos Estados” na APCD-Central, durante a realização do 31º CIOSP em sessão aberta ao público e entidades convidadas, Não percam !

    1. Prezado Gilceu, obrigado pelo comentário.
      A Odontologia Hospitalar há muito tempo é prevista no Código de Ética Odontológica. Antes da mudança deste ano era dito lá que as normas do CFO para esta área de atuação deveriam ser obedecidas (o texto atual está mais genérico). Porém, conquanto a parte clínica (excetuando a CTBMF) não há qualquer definição sobre quem é o CD respaldado para este fim. Portanto já houve muito tempo para que decisões fossem tomadas, e ainda não foram.
      Sobre o Colégio citado penso ser uma iniciativa individual de colegas que se inspiraram nas ideias levantadas no último encontro das comissões em Natal. Mas que só terá valor se houver o “de acordo” do CFO, senão será mais uma associação sem valor prático.
      O histórico deste post não é um trabalho acadêmico, portanto não teve qualquer pretensão de ser definitivo nem completo. Mas, noto que você citou cirurgiões bucomaxilos, que apesar de relevantes para a Odontologia Hospitalar “Cirúrgica” (já consolidada), não o foram para a parte clínica, ainda em construção.
      Tanto é verdadeiro que a Estomatologia e a SOBEP se inspiraram na AAOM que “Medicina Oral” também foi um termo aventado na criação da especialidade (embora rejeitado). E hoje em dia a Triple oral, revista da AAOM, é a publicação científica oficial da SOBEP.
      Não concordo com a ideia de que mudando o PL haverá prejuízo, pois ele já foi mudado antes e se tornou mais abrangente e completo que a versão inicial. Entendo que se a emenda proposta for aprovada, deverá haver uma adequação do texto, antes ou na regulamentação, onde fique claro que o CD e sua equipe auxiliar sejam os responsáveis por toda atuação direcionada à saúde bucal hospitalar, seja atuando preventivamente, capacitando equipes multidisciplinares e avaliando resultados, emitindo pareceres, se integrando em protocolos interdisciplinares e atuando diretamente onde for o escopo de suas atribuições independente do setor hospitalar onde trabalhe. A obrigação de se colocar o CD para a higiene bucal (no PL citado erradamente como assistência odontológica) em UTI é exagerada e desnecessária, já que técnicos habilitados oferecem o mesmo resultado.
      Concordo integralmente com a necessidade de atuação plena do CFO onde quer que seja necessário para que se viabilize a OH clínica, mas percebo que seria mais vantajosa a delegação desta função a uma outra entidade que tenha a alta complexidade como o foco principal, a semelhança do que faz o CFM em relação a AMB e sociedades médicas.
      Sobre os “pais da criança”, foi uma citação à manipulação política do conceito de Odontologia na UTI utilizado em 2008, pelo CRO-RJ, deputado Neilton Mulim e periodontistas paulistas para fomentar a sua aprovação em plenário. Apesar do projeto já ter sido mudado para um conceito mais amplo de odontologia hospitalar e domiciliar o CFO ainda usa o conceito inicial, já superado, ao invés de se adequar para o que é mais pertinente.
      Sobre a atuação dos CROs do Rio de Janeiro e demais só posso manifestar minha gratidão e encher de elogios a todos que vêm trabalhando para a implantação das comissões. Apesar deste movimento específico das comissões ter se iniciado aqui no RJ, só foi viável graças aos presidentes, conselheiros e abnegados colegas que abdicam dos seus preciosos tempos para se dedicarem a uma causa que, talvez, só seus filhos venham a usufruir. Em nenhum momento do texto citei que haveria alguma importância maior para este estado, pois é sabido que o movimento é democrático e baseado em princípios federativos onde todos os 27 entes possuem o mesmo valor.
      Finalmente, faço votos de que o IV Encontro das Comissões de Odontologia Hospitalar dos CROs, que ocorrerá em São Paulo, APCD, durante o próximo CIOSP, seja mais um sucesso, como foram todos os outros. Nesta ocasião o Rio de Janeiro será representado pelo Prof. Héliton Spíndola e todos torcemos para que o espírito de engrandecimento da profissão seja a meta.

      1. Paulo Pimentel. Como pessoa presente na criação da Estomatologia no Brasil, então chamada de Semiologia quero informar-lhe que ela se deve ao ilustríssimo Prof. Antônio Fernando Tommasi, pioneiro da introdução da Disciplina em curso de graduação em Odontologia na FOUSP. Ele JAMAIS se baseou na AAOM, mas, muito parcialmente fundamentou-se em alguns preceitos da Disciplina de Dermatologia da Faculdade de Medicina da USP. Foi o Prof. Tommasi, juntamente com outros colegas brasileiros, que fundou a SOBE, agora SOBEP, Foi à convite do Prof.Tommasi que me tornei professor de Estomatologia e, durante muitos anos colaborei na citada Dermatologia, no ambulatório do Hospital de Clínicas, pois é da mesma USP. Lamento que vc não venha ao CIOSP para nos ouvir pessoalmente. Quanto ao Código de Ética: ele fala da atuação dos CDs em hospitais e não cita Odontologia Hospitalar. Cuidado com que vc afirma ser VERDADEIRO. Nem sempre o é. Existem muitas testemunhas vivas dessa história, inclusive eu. O fato do triple O ser a publicação científica da SOBEP se deve à qualidade e penetração internacional da revista. Não confirma sua alegação quanto às origens da SOBE – SOBEP

        1. Caro Dr. Jayro,
          Conforme expliquei ao colega Gilceu, não houve qualquer intenção no texto em ser definitivo na questão do histórico. A intenção foi somente mostrar que a Odontologia clínica realizada no ambiente hospitalar é algo antigo e já presente. Um texto mais aprofundado sobre o assunto é recomendado.
          Como já lhe disse anteriormente sobre a criação da Estomatologia e SOBEP só sei sobre comentários que me são passados. Nunca tinha ouvido falar sobre a relação com a Dermatologia na sua concepção. Confio integralmente em sua explanação e agradeço pela correção. Gostaria inclusive que me indicasse um histórico definitivo sobre a Estomatologia brasileira e a SOBEP, origem e influências. Certamente será o fator norteador sobre o assunto aqui no site.
          Outro objetivo do texto foi informar que os estomatologistas são essenciais no processo de criação deste novo modelo de Odontologia Hospitalar no Brasil. E para se informar mais sobre a área peço que leia http://cfo.org.br/wp-content/uploads/2009/09/codigo_etica.pdf, em seu capítulo X. Nele é explícita a citação, como também era no CEO antigo.
          ——
          Obs: Atendendo ao seu comentário, foi feita a correção sugerida no post original a fim de evitar incorreções históricas.

          1. Paulo. O que penso mesmo é que vc deveria ter mais cuidado com o que escreve. Vc já pensou quanta injustiça e impropriedade vc cometeu? Escrever algo “porque me disseram ou porque ouvi dizer”. Francamente. É por estas e outras coisas que já lhe escrevi algumas vezes e até desisti de fazê-lo. Somente escrevi agora porque achei demasiado. O Prof. Tommasi, para nossa tristeza, já faleceu há muito tempo.

          2. Caro Professor, em um canal como este todos ensinamos e todos aprendemos, diferentemente de um livro impresso.
            Onde enxergo injustiça e impropriedade procuro me corrigir (não sendo este o caso). Sua sugestão foi acatada e o texto ficou mais genérico aguardando sua indicação de histórico. Mas a ideia central do post e parágrafo não se alterou em nada.
            Neste comentário o senhor se omitiu em citar o seu desconhecimento sobre o CEO, o que é totalmente compreensível, mas nem por isso tenho o direito de julgá-lo.
            Espero que continuemos a nos ajudar mutuamente.

          3. Já que o tema passou a ser focado no histórico da Odontologia Hospitalar e para que não se cometam injustiças com desbravadores e pais da criança sugiro que as Comissões de Odontologia Hospitalar dos CROs de cada estado da federação se debrucem na pesquisa dos fatos históricos regionais da atuação dos seus CDs em ambiente hospitalar , para que no final seja compilado o texto real dos fatos e que o mesmo seja aprovado na futura Reunião Geral das Comissões como representante do histórico oficial da OH.
            Da minha parte, gostaria de colocar que há 43 anos os professores Dr.Gilberto Marcucci e Dr.Geraldo dos Santos, oriundos da Estomatologia (antes Semiologia) da FOUSP e outros colegas entre os quais me incluo, iniciaram no Hospital Heliópolis SUS (antes INAMPS/MS), o atendimento de pacientes especiais (antes excepcionais internados no 7º andar), sob anestesia geral em Centro Cirúrgico.
            Ambulatorialmente, no 2º andar, realizávamos o diagnóstico e tratamento dos pacientes encaminhados pela rede pública de saúde e demais pacientes internados nas Clinicas Médicas do HH (Dermato, Gastro, Procto, Pneumo, Cardio, Onco, UTI, Moléstias Infecciosas, Cabeça e Pescoço e Hematologia),
            Paralelamente era dado o Curso de Aprimoramento Profissional em Estomatologia com 4 (quatro) bolsas da FUNDAP no CEPE Centro de Estudos e Pesquisas em Estomatologia “Prof.Dr.Gilberto Marcucci”) com carga horária de mais de 1450 horas que após reconhecimento da especialidade de Estomatologia pelo CFO se enquadrou nas normas oficiais com a participação de 12 (doze) alunos/ano .
            Fica assim feito este registro, mas recomendaria entrevistar os fundadores que até o momento permanecem vivos.

  6. Excelente seu texto!!! Parabéns!!!
    Não li os comentários ao seu texto, mas posso dizer que vivo esse desconforto diariamente. Fiz a Residência Multiprofissional em Saúde (MEC/MS), 5760 horas (ou mais) de dedicação exclusiva à Odontologia Hospitalar, o que inclui, atendimento ao paciente internado em UTI e fora dela (Hematologia, Cardiologia, Hepatologia, Oncologia, Cirurgia Geral, Pediatria, Infectologia…). Experiência única!!! Porém pouco reconhecida (desconhecida!), já que não está vinculada ao CFO. E, mesmo com todo o histórico que o senhor relatou, me sinto na posição de desbravadora, já que nunca existiu tal cargo nos diversos Hospitais que visito e deixo meu currículo.
    Atualmente, trabalho em uma Unidade Oncológica (como prestadora de serviço, sem vínculos), realizando avaliação e liberação odontológica pré-radioterapia de cabeça e pescoço, laserterapia ao paciente com mucosite oral sob tratamento de QT e RxT e atendimento às urgências odontológicas. Foram muitos anos de estudo e dedicação e muito pouco reconhecimento e valorização!
    Agradeço pelo texto, pois expressou o que venho sentindo a algum tempo e me deu certo fôlego para continuar na luta!! Ainda bem que existem pessoas que pensam assim!! Obrigada!

    1. Obrigado Isabel.
      Este portal e para profissionais como você.
      Nada contra os dentistas higienistas que o CFO nos empurrara, mas o que você faz é a alma e o talento da Odontologia.

  7. Dra. Isabel Cristina suas queixas são comuns à todos CDs que atuam em ambiente hospitalar ou querem trabalhar em Hospitais principalmente nos privados. Isto não é de agora e nada tem haver com seu currículo ou experiência. Isto também ocorre em Hospitais públicos onde os CDs são contratados. O tempo de estudo e vivencia clinica neste caso não conta..Estou há 40 anos nesta batalha e ainda não desanimei. Insista independente do resultado.
    Isto mostrar que a Odontologia Hospitalar não é aquela maravilha que muitos pensam e pior que muitos pintam. Independe de CFO, CROs ou Lei Federal. O reconhecimento e valorização do seu trabalho é de foro íntimo. Está só na avaliação dos seus resultados e na gratidão dos pacientes que você atendeu. Ou você se consola com isto ou então procure uma coisa mais prazerosa para fazer. Isto não é conselho mais a realidade de hoje. Estamos trabalhando arduamente em prol dos nossos colegas e da Odontologia. Tudo sem ganhar nada, mas não posso deixar que outros sejam iludidos ou enganados. Confie em Deus ele é brasileiro e Dentista..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *