ANEO 2014 – O epílogo da saga da Odontologia Hospitalar

A criação deste blog, em 2008, não coincidentemente ocorreu em meio a uma confluência de fatores favoráveis à necessidade de ampliação da visão do CD sobre os conceitos médicos que norteiam a Medicina Oral. Neste ano foi apresentado o projeto de lei 2776 que recomendava a Odontologia em UTIs e também neste ano deu-se a união de esforços em prol da Odontologia no meio hospitalar, em encontro no HEMORIO. Começava o primeiro capítulo de uma luta ideológica ferrenha entre campos diferentes de visão sobre o que representa a Odontologia como área da saúde e como profissão.

De um lado estavam os CDs de visão ampla que entendem a Odontologia como uma especialidade médica que, apesar de apresentar-se como uma profissão a parte, têm obrigações, direitos e deveres idênticos aos egressos das faculdades de Medicina, já que, como estes, são os únicos profissionais da saúde humana que prescrevem drogas, dão diagnóstico, realizam procedimentos invasivos e internam pacientes, entre outras atividades e responsabilidades.

De outro lado estavam os CDs de visão segmentada, que viam a Odontologia apenas como uma oportunidade de inserção laboral, mesmo que isso envolvesse a entrada de profissionais para atuarem em segmentos críticos sem estar devidamente preparados. Neste campo também estavam os que não se preocupavam com a questão institucional da Odontologia pois preconizavam formações de CDs por conta de entidades externas à Odontologia.

A saga teve momentos épicos em que as disputas ideológicas se expandiram e aliados foram sendo buscados de lado a lado. Em uma busca rápida de posts antigos é possível ver vários destes capítulos. Me atenho a um deles que teve importância fundamental, a entrada da SOBEP nas Comissões de Odontologia Hospitalar dos CROs.

A SOBEP e a virada

Após a criação da Comissão de Odontologia Hospitalar do Rio de Janeiro, o modelo foi exportado para todo o país, estava plantada a árvore que daria a força para a expansão de todo o movimento da Odontologia Hospitalar. Mas, em alguns pontos a influência dos CDs de visão segmentada ainda predominava e até mesmo o CFO defendia alguns de seus pontos de vista.

Como em todas as boas estórias o momento da virada ocorreu da forma mais inesperada possível pois, após inúmeros convites, a SOBEP, legítima herdeira do conceito da visão ampla médico-odontológica, surgiu após se sentir incomodada com a terminologia utilizada em algumas comissões. Porém, como boa portadora do DNA da Medicina Oral, entrou na luta como a mais importante aliada na revisão ideológica do que estava sendo proposto para a Odontologia Hospitalar, afinal ela e seus especialistas, mais do que ninguém, seriam ameaçados por uma nova pós-graduação que envolveria algumas de suas atividades e, ainda por cima, sem que tivessem formação adequada para tal.

A batalha da ANEO

Após atuarem efetivamente junto às comissões em seus últimos dois encontros, em São Paulo e em Porto Alegre, os colegas da SOBEP foram determinantes em se obter um consenso sobre a necessidade da habilitação em OH. Mas, tudo esbarrava nas atitudes evasivas do CFO que não se decidia sobre como isso seria realizado.

Em meados deste ano, todos foram surpreendidos pela convocação de mais uma ANEO. Após 12 anos centenas de CDs de todo o país se reuniriam para redefinir o mapa das pós-graduações odontológicas e os defensores da visão ampla na Odontologia Hospitalar ainda se surpreenderiam com o que estava por vir.

Tal qual nos mais bem elaborados suspenses eis que surgem três propostas contrárias ao consenso das comissões. Uma delas já se esperava, a de especialização em OH. Apesar de diferente da defendida pelo consenso, esta não representava diretamente uma ameaça à visão ampla, mas sim à Estomatologia e à OPNE, já que seria mais do mesmo. A surpresa mesmo ocorreu há apenas 3 dias da ANEO quando se soube, através da divulgação da tese central pelo CFO, que também tinham sido propostas a especialização e a habilitação em Odontologia Intensiva, legítimas representantes da Odontologia de visão segmentada.

A luta desigual deu-se nas reuniões prévias à plenária final, pois os colegas das comissões de Odontologia Hospitalar dos estados, auxiliados pelos representantes da SOBEP e reforçados por líderes institucionais de peso como o presidente do CRORJ, não deram qualquer chance para as frentes adversárias. A plenária final só corroborou o que havia sido decidido e a HABILITAÇÃO EM ODONTOLOGIA HOSPITALAR VENCEU.

Agora estamos todos juntos

Um final feliz e comprovador do quanto se pode fazer quando há uma ideologia justa, agregadora e que apresenta objetivos de bem comum para todos. Até para os colegas de visão segmentada, que agora precisam se unir aos demais no sentido de contribuir para as novas batalhas que virão. E que serão tão ou mais intensas quanto esta que se encerrou. Agora estamos todos juntos.

ANEO 2014 em São Paulo – O que esperar dela?

Eleições são eventos únicos. Os partidos e candidatos se preparam por 4 anos para serem postos a prova. O país inteiro acompanha e a valoriza, sendo seus feitos, resultados e consequências narrados como lendas por gerações.

A ANEO, Assembleia Nacional de Especialidades Odontológicas, repete-se após 12 anos. Naturalmente vai gerar também muitas expectativas, afinal novos conhecimentos e habilidades foram estudados e serão apresentados como um produto visando sua regulamentação, seja como especialidade ou habilitação. Como nas prévias eleitorais partidárias, as ANEOs regionais já definiram suas propostas e caberá a um plenário nacional a decisão sobre quais serão ou não validadas.

Mas, não será este o propósito único. Muitas decisões sobre o formato de pós-graduações já existentes vão ser tomadas. Ampliação ou diminuição de cargas horárias, titulação dos professores, fusão de especialidades, exigência de residência, modificação das atribuições e mudanças de nomes são algumas dentre as várias ideias a serem avaliadas.

No Rio de Janeiro, duas propostas, uma da Sociedade Brasileira de Ortodontia e outra da Comissão de Odontologia Hospitalar propõem algo de diferente neste panorama, onde predomina uma visão de criação de especialidades e habilitações. Nestas propostas o que se pede é o fortalecimento das especialidades. A SBO, de uma forma sutil, questiona a qualidade das especializações e sugere ao CFO uma prova de especialidade para a obtenção do certificado de especialista. A COH-RJ já pede, além da prova, a chancela de uma sociedade de especialistas para o reconhecimento deste título.

Para o engrandecimento de uma profissão é preciso que, além de uma instituição central forte para sua regulação geral, tenhamos sociedades ou associações em áreas de conhecimento chaves para que suas atividades seja divulgadas e reconhecidas pela sociedade em geral. No modelo atual especialidades são criadas e nem sempre florescem, como foi mostrado na ANEO regional por palestrantes indicadas pelo próprio CFO.

Um exemplo recente da importância destas associações foi dado pela Sociedade de DTM e Dor Orofacial – SBDOF, onde uma publicação inadequada do Ministério da Saúde foi prontamente refutada e tirada do ar. A SOBEP também está sendo exemplar ao se posicionar a favor da Odontologia Hospitalar criando uma comissão interna para deliberar sobre o tema.

O portal da Medicina Oral é claramente a favor do fortalecimento das especialidades odontológicas brasileiras através da descentralização das certificações dos especialistas e delegação de atribuições mais objetivas às sociedades odontológicas. É também contra a criação de novas especialidades e habilitações sem que estas sejam submetidas a um crivo mais direto por estas sociedades de especialistas, afinal, um plenário tão heterogêneo não consegue se posicionar adequadamente sobre questões específicas.

Apesar do CFO ter indicado especialistas em educação e pós-graduações para palestrar antes das ANEOs regionais sobre a situação, nem sempre favorável, das especialidades criadas em 2002, sabemos o quanto interesses diversos ainda contribuem para uma pressão de criação de novas especialidades, mesmo que essas representem perdas para especialidades já consolidadas. Chega-se ao ponto de vermos que a uma delas, a Ortopedia dos Maxilares, já é proposta a fusão com a Ortodontia, de onde nunca deveria ter saído.

A questão da composição do plenário que julgará sobre a pertinência, ou não, das novas propostas também é motivo de preocupação em vista da possibilidade, publicada em edital, da indicação, pelo CFO (assim como o fizeram os CROs regionais), de pessoas sem qualquer vínculo a entidades oficiais para terem direito a voz e voto (ver artigo 27, item XXV). Este portal entende que esses indicados deveriam ser textualmente nominados para que se conheçam suas origens, histórico acadêmico e institucional, afinal estarão decidindo o futuro de muitas especialidades e da própria profissão.

Que esta Eleição, assim como a ANEO, de tantas expectativas e dedicação prévias, sejam ganhas por todos e que sejam jogadas com transparência, respeito e probidade.

Hospital Cardoso Fontes reestrutura serviço de Odontologia

Fonte: http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2014/08/rio-servico-de-odontologia-do-hospital-cardoso-fontes-e-ampliado

O serviço de odontologia do Hospital Federal Cardoso Fontes (HFCF) recebeu hoje (22) novas instalações e dois novos consultórios. A unidade funciona na Freguesia, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. Com isso, o hospital vai passar a usar a técnica com laser no tratamento de pacientes oncológicos, além de atender pessoas internadas no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da unidade.

A odontologia do HFCF é referência no tratamento de pacientes especiais, com HIV, diabéticos, psiquiátricos, com síndrome de Down e lesão cerebral. De acordo com o chefe do Serviço de Odontologia da unidade, Silvio da Cruz Brandão, as pessoas em quimioterapia e radioterapia estão entre os principais beneficiados.

“O laser tem várias aplicações. Tem o laser vermelho e o infravermelho. O paciente, quando é submetido a uma fisioterapia de cabeça e pescoço ou quimioterapia, ele está sujeito à mucosite [inflamação das mucosas] e isso acontece muito na cavidade oral. Esse paciente fica sem poder se alimentar, e o laser tanto fica preso como ele tira essa dor. São várias aplicações que outros hospitais já fazem e aqui vamos passar a usar também”, relatou Brandão, ao acrescentar que o tratamento já é oferecido no Instituto Nacional de Câncer (Inca) e no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe).

Além da laserterapia no tratamento de pessoas com câncer, a odontologia passa a integrar os exames de risco cirúrgico da unidade. O objetivo é reduzir as possibilidades de infecções originadas da boca do próprio paciente, que podem se espalhar para o aparelho cardiorrespiratório, principalmente dos que estão no CTI.

“O paciente no CTI normalmente está entubado. Se ele está com biofilme na boca e esse tubo esbarra nesse biofilme, ele vai levar bactérias da cavidade oral para o pulmão e esse paciente acaba permanecendo mais tempo na unidade em função de uma pneumonia, não daquela doença que ele foi internado. Esse é o benefício do dentista dentro da unidade fechada. O dentista vai orientar os enfermeiros como proceder na higiene [bucal]“, explicou Brandão.

Encontro do GMOH-RJ de junho

Prezados,

Na próxima quarta-feira, dia 13 de junho, teremos mais um importante encontro do GMOH-RJ no auditório do CRORJ na Rua Araújo Porto Alegre, 70, 5º andar.
Dentre as atividades será retomada a realização de atividade acadêmico-científica com a discussão, logo no início, do artigo de descontaminação oral em CTIs pediátricos, (baixe o artigo original em http://www.pediatricnursing.net/ce/2012/article36085096.pdf). É bastante difundida a publicação de relatos sobre a higiene oral em adultos, mas este trabalho é um dos poucos que cita a atuação em crianças, daí a importância de sua discussão.
Após, serão apresentados os resultados da reunião do Encontro de Odontologia Hospitalar de Minas Gerais, onde as comissões de OH de diversos estados (e CROs) estavam representadas (o movimento já é composto por comissões oficiais em 18 estados).
E a repercussão da atividade (por videoconferência) na FIRJAN, para o sistema SESI-SENAI, sobre a repercussão sistêmica dos problemas bucais.
Haverá ainda a apresentação de proposta oficial de parceria entre o Departamento de Odontologia da SOTIERJ e a Comissão de Odontologia Hospitalar e Medicina Oral do CRORJ, além da programação do I Encontro de Odontologia da Sociedade de Terapia Intensiva do Rio de Janeiro.
Outros assuntos de interesse geral também serão debatidos.
Contamos com a presença de todos.
Atenciosamente
Comissão de OH-MO do CRORJ
Grupo de MO-OH do RJ